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Escrito por: Renato Rodrigues

Advogado, bacharel em Direito pela UERJ, jornalista formado na UFRJ e mestre em Direito pela UFJF, com pós-graduação em Direito Social e Direito Bancário.

22 de outubro de 2026 | 18H50

Votar pela democracia

Caros amigos,

                    Inicialmente, gostaria de comunicar a mudança da minha residência para Vila Velha (ES) na semana retrasada, um plano antigo que somente agora consegui colocar em prática. Não é o fim da minha atividade como advogado. Pelo contrário, eu e a minha sócia, Dra. Tatiana (minha filha), continuaremos a atendê-los normalmente pelos canais que vocês já conhecem.

                    Dito isto, peço licença a vocês para tocar num assunto que considero relevante. Aproxima-se o segundo turno das eleições presidenciais. Dois candidatos, dois projetos políticos bem diferentes, um país dividido. Mas, hoje, é como advogado que quero falar.

                  Diferentemente do que se diz por aí, acho que esta eleição não é um confronto de esquerda contra direita. Para mim, como operador do Direito, o que está em jogo é a preservação da nossa Constituição, a Constituição-Cidadã, de 1988.

                 Como sabem, a Constituição é mais do que um instrumento de trabalho para o advogado. É a sua garantia e a garantia dos interesses dos seus clientes. Graças a ela, temos institutos importantíssimos, como o mandado de segurança, o habeas corpus, a inafastabilidade da prestação jurisdicional, a independência dos poderes, a garantia do ato jurídico perfeito, do direito adquirido.

                   Tudo isso está em risco. Antes que vocês digam que exagero, basta registrar que um dos candidatos abertamente se pronuncia saudosista da ditadura militar e de seus torturadores. Basta fazer uma breve pesquisa na internet: https://oglobo.globo.com/blogs/bernardo-mello-franco/coluna/2026/10/flavio-bolsonaro-e-o-filho-do-riocentro.ghtml, https://www1.folha.uol.com.br/colunas/tom-farias/2026/10/em-livro-sobre-o-pai-flavio-bolsonaro-defende-ditadura-e-massacre-do-carandiru.shtml. 

                   Lembro-me perfeitamente daquele triste período da nossa história: censura de livros, de músicas, de filmes, de novelas, de artigos de jornal; tortura; centenas de desaparecidos; cerceamento do direito de votar para presidente e outras barbaridades. Aliás, quando os militares chegaram ao poder em 1964, prometeram eleições para o ano seguinte, o que não aconteceu. Promessa descumprida. Foi necessário esperar quase vinte e cinco longos anos para que pudéssemos votar para presidente.

                    Mas não é preciso ir tão longe. O passado recente também é testemunha da sanha golpista dessa turma. Quem não se lembra dos pedidos de intervenção militar, dos acampamentos em frente aos quartéis, da baderna do 8 de janeiro de 2023?

                   Então, como advogado que preza a Constituição e os direitos fundamentais, só posso ter uma opção para votar no próximo domingo. Como falei anteriormente, não se trata de um confronto entre direita e esquerda. É um confronto, sim, entre democracia e perspectiva autoritária.

                   Peço que reflitam sobre essas palavras. Se algum sentido fizerem para vocês, peço, ainda, que compareçam às urnas no dia 25 e votem com a mão na consciência.

                  Em tempo: dia 25, é claro, estarei em Juiz de Fora para votar.

Grande abraço!

Renato Rodrigues